Plano de saúde individual: o que muda para quem contrata sozinho
É a modalidade contratada por uma pessoa física, sem empresa e sem entidade de classe. Tem a maior proteção da ANS, mas também a menor oferta no mercado.
O plano individual ou familiar é contratado direto pela pessoa física, sem precisar de CNPJ. É o único tipo cujo reajuste anual é definido pela ANS, e o contrato não pode ser cancelado unilateralmente pela operadora enquanto você estiver em dia. Em troca, costuma custar mais caro que o empresarial e poucas operadoras ainda vendem essa modalidade em São Paulo.
Quem pode contratar
Qualquer pessoa física, sem exigência de vínculo com empresa, sindicato ou associação. Basta CPF e documento. Você pode incluir dependentes diretos — cônjuge, companheiro e filhos — e aí o contrato passa a ser chamado de familiar, mas as regras são as mesmas do individual.
Não existe idade máxima para contratar. A operadora não pode recusar sua entrada por ser idoso ou por ter uma doença. O que ela pode fazer, dentro da lei, é aplicar cobertura parcial temporária para o que já existia antes do contrato, assunto que explico mais abaixo.
A grande vantagem: reajuste controlado
Todo ano a ANS publica um teto de reajuste para planos individuais. Nenhuma operadora pode passar desse limite. É a única modalidade com esse controle.
Nos planos empresariais e por adesão, o reajuste é negociado entre a operadora e a empresa ou administradora. Não existe teto. Em anos de sinistralidade alta, aumentos de 15%, 20% ou mais acontecem — e o cliente final apenas recebe a carta.
Por isso o individual costuma valer a pena para quem pretende ficar muitos anos no mesmo plano, principalmente depois dos 50.
A desvantagem: preço e disponibilidade
Um plano individual normalmente custa mais que um empresarial com a mesma rede e a mesma cobertura. A diferença varia bastante, mas costuma ficar entre 20% e 40%.
Além disso, várias operadoras grandes pararam de vender individual e trabalham apenas com empresarial e adesão. Em São Paulo, a oferta real de individual é bem menor do que a de PME, e nem toda região da cidade tem opção disponível.
Reajuste por mudança de faixa etária
Além do reajuste anual, existe o aumento quando você troca de faixa etária. A ANS define dez faixas, e a mudança de faixa gera reajuste em qualquer modalidade, inclusive no individual.
Duas regras protegem o consumidor: o valor da última faixa não pode ser mais de seis vezes o valor da primeira, e a variação acumulada entre a sétima e a décima faixa não pode ser maior que a acumulada entre a primeira e a sétima. Na prática, isso impede que o plano fique impagável logo depois dos 59 anos.
| Faixa etária | O que costuma acontecer com o valor |
|---|---|
| 0 a 18 anos | Faixa base do contrato |
| 19 a 23 anos | Primeiro degrau, normalmente moderado |
| 24 a 28 anos | Aumento pequeno |
| 29 a 33 anos | Aumento pequeno |
| 34 a 38 anos | Aumento moderado |
| 39 a 43 anos | Aumento moderado |
| 44 a 48 anos | Começa a pesar mais |
| 49 a 53 anos | Aumento relevante |
| 54 a 58 anos | Aumento relevante |
| 59 anos ou mais | Última faixa. Limitada a 6x o valor da primeira |
Atenção ao contratar depois dos 58
Se você tem 58 anos, a mudança para a última faixa acontece no próximo aniversário. Vale simular já considerando o valor depois dos 59, para não ter surpresa no primeiro ano de contrato. Um consultor consegue mostrar as duas colunas na mesma proposta.
O que conferir antes de assinar
Rede credenciada real
Não olhe só o nome da operadora. Confira quais hospitais e laboratórios daquele plano específico atendem perto de onde você mora e trabalha.
Prazos de carência
Consultas, exames e internações têm prazos diferentes. Se você tem procedimento marcado, isso decide qual plano faz sentido.
Coparticipação
Mensalidade baixa com coparticipação alta pode sair mais cara para quem usa bastante. Faça a conta com o seu histórico de uso.
Abrangência
Plano municipal, estadual ou nacional muda bastante o preço. Se você viaja pouco, o municipal costuma resolver.
Doenças preexistentes
Declare tudo. Omitir gera negativa de cobertura depois, e a operadora pode até cancelar o contrato por fraude.
Portabilidade futura
Se você já tem plano hoje, talvez consiga migrar sem cumprir carência de novo. Confira antes de contratar como se fosse a primeira vez.
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Perguntas frequentes
Plano individual ainda existe em São Paulo?
Existe, mas com oferta reduzida. Várias operadoras encerraram a venda de individual e trabalham apenas com empresarial e adesão. A disponibilidade muda por região e por faixa etária. Vale consultar quais estão aceitando no seu caso específico antes de descartar a modalidade.
É mais caro que o empresarial?
Na maioria dos casos sim, com a mesma rede e cobertura. A diferença costuma ficar entre 20% e 40%. Em compensação, o reajuste anual do individual tem teto definido pela ANS, enquanto o do empresarial é negociado livremente.
A operadora pode cancelar meu plano individual?
Só em duas situações: fraude comprovada ou inadimplência por mais de 60 dias, consecutivos ou não, dentro de doze meses — e mesmo assim ela precisa notificar você até o quinquagésimo dia de atraso. Fora isso, o contrato é seu enquanto estiver em dia.
Posso incluir meus pais como dependentes?
Depende da operadora. Muitas aceitam apenas cônjuge e filhos como dependentes diretos. Pais costumam entrar como contrato próprio ou como agregado, quando a operadora permite, e nesse caso o valor é calculado pela faixa etária deles.
Quanto tempo até começar a usar?
Urgência e emergência liberam em 24 horas. Consultas, exames e internações eletivas costumam ter até 180 dias, e parto a termo até 300 dias. São os prazos máximos que a lei permite; muitas operadoras praticam prazos menores, e há promoções com redução de carência.
Vale a pena para quem tem menos de 30 anos?
Nessa idade o empresarial ou por adesão quase sempre sai bem mais barato. O individual faz mais sentido para quem valoriza a estabilidade do reajuste com teto e pretende ficar muitos anos no mesmo contrato. Se você tem CNPJ ou pode abrir um MEI, compare as duas opções antes de decidir.
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Outras dúvidas que costumam aparecer antes de contratar.
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